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Para começar, entendo que, em si mesma, a presença, na sessão, da mãe de uma aluna constituiu já um ganho e um passo importante na evolução do clube. Mais ainda se, como aconteceu, essa mãe assumia a responsabilidade da escolha de um filme. E, concretamente, esse ganho e esse passo tornam-se perfeitos quando a mãe em causa é Paula Montez, que imprimiu ao debate um interesse, uma simpatia e, portanto, uma dinâmica muito peculiares. 2
Houve outros aspectos que não quero deixar de assinalar, porque me tocaram. Por exemplo, a presença do André, com quem mantive, neste mesmo blogue, uma cortês mas acesa discussão acerca do preconceito em relação ao cinema português. Que o André fosse ver o filme de Maria de Medeiros e, mais do que isso, o tivesse apreciado, agradou-me. Não como se eu tivesse vencido algum tipo de guerra: eu e o André nunca estivemos em guerra, sempre estivemos em paz, argumentando e aprendendo em conjunto. (E digo-o sinceramente, não para manter um registo politicamente correcto, que, como sabem, não é o meu género). Perguntei-lhe: «Então, gostou?»; respondeu-me: «muito!» Bastou. 3
Finalmente, a sessão foi importante porque, sendo um filme sobre o 25 de Abril (mesmo tratando-se de um filme com erros e imperfeições), cumpria, de certa forma uma missão, um dever para com a memória, e nem por isso afugentou os jovens mais jovens. Tivémos a casa cheia de rapazes e raparigas de cujo imaginário o 25 de Abril não faz e nunca fez parte. Atentos, curiosos, com os olhos muito vivos de perguntas (das perguntas que depois, no debate, não foram capazes de formular, mas que os mais velhos iam adivinhando...) 4
Perguntava-me o Francisco, sorrindo, se eu tinha reparado bem na diversidade de idades que ali se tinham cruzado: alunos de todos os anos, uma mãe, professores com diferentes graus de vivência e memória do 25 de Abril. Se eu reparei? Ai não! 5
Gosto muito de falar de filmes. Ultimamente, como vêem (ou lêem), tem-me apetecido mais falar acerca da plateia. São fases. O ponto é: este clube anda a encher-me de orgulho e alegria - outra vez!
