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quinta-feira, 7 de abril de 2011

PERGUNTA: QUANTOS PARES DE OLHOS ESTIVERAM ONTEM NO CLUBE DE CINEMA?

1
Para começar, entendo que, em si mesma, a presença, na sessão, da mãe de uma aluna constituiu já um ganho e um passo importante na evolução do clube. Mais ainda se, como aconteceu, essa mãe assumia a responsabilidade da escolha de um filme. E, concretamente, esse ganho e esse passo tornam-se perfeitos quando a mãe em causa é Paula Montez, que imprimiu ao debate um interesse, uma simpatia e, portanto, uma dinâmica muito peculiares.
2
Houve outros aspectos que não quero deixar de assinalar, porque me tocaram. Por exemplo, a presença do André, com quem mantive, neste mesmo blogue, uma cortês mas acesa discussão acerca do preconceito em relação ao cinema português. Que o André fosse ver o filme de Maria de Medeiros e, mais do que isso, o tivesse apreciado, agradou-me. Não como se eu tivesse vencido algum tipo de guerra: eu e o André nunca estivemos em guerra, sempre estivemos em paz, argumentando e aprendendo em conjunto. (E digo-o sinceramente, não para manter um registo politicamente correcto, que, como sabem, não é o meu género). Perguntei-lhe: «Então, gostou?»; respondeu-me: «muito!» Bastou.
3
Finalmente, a sessão foi importante porque, sendo um filme sobre o 25 de Abril (mesmo tratando-se de um filme com erros e imperfeições), cumpria, de certa forma uma missão, um dever para com a memória, e nem por isso afugentou os jovens mais jovens. Tivémos a casa cheia de rapazes e raparigas de cujo imaginário o 25 de Abril não faz e nunca fez parte. Atentos, curiosos, com os olhos muito vivos de perguntas (das perguntas que depois, no debate, não foram capazes de formular, mas que os mais velhos iam adivinhando...)
4
Perguntava-me o Francisco, sorrindo, se eu tinha reparado bem na diversidade de idades que ali se tinham cruzado: alunos de todos os anos, uma mãe, professores com diferentes graus de vivência e memória do 25 de Abril. Se eu reparei? Ai não!
5
Gosto muito de falar de filmes. Ultimamente, como vêem (ou lêem), tem-me apetecido mais falar acerca da plateia. São fases. O ponto é: este clube anda a encher-me de orgulho e alegria - outra vez!

quinta-feira, 17 de março de 2011

PRECONCEITOS E TAL

Posso ser franco? Obrigado. A mim faz-me certa comichão que haja quem tenha preconceitos, os assuma quase orgulhosamente e neles persista com alguma teimosia.
A maior parte dos meus preconceitos é-me invisível, quer dizer: só os mantenho porque os não detecto, porque os não considero preconceitos. No momento em que fico só, frente a frente com um preconceito, e o detecto como tal, faço algo. Luto. Esforço-me contra ele. Procuro percebê-lo, estudá-lo, e inicio o trabalho do seu desmantelamento. Sim, sei que estão a pensar: «Irra! O gajo tem a mania que é bom!». Acontece que não é uma mania.

O preconceito em relação ao cinema português é particularmente absurdo. Porque, em seu nome, diminuímos a cultura portuguesa. Pode até ser que não existam muitos filmes portugueses de qualidade: mas esse défice de qualidade deve-se a quê? Entre outras coisas, a insuficiência de público. A uma proverbial insuficiência de público. Se estamos do lado dos que fogem ao cinema luso, estamos a pactuar com as condições que o impedem de crescer, de evoluir, de amadurecer.

Para além disto, há cinema português de grande qualidade. Ao desviarmo-nos sistematicamente do seu caminho, estamos a privar-nos da descoberta. Da capacidade de encontros memoráveis. Estamos a afunilar a possibilidade de gozar, na nossa própria língua, filmes que falam de nós, da nossa vida, de situações e personagens familiares. Não inglesas nem norte-americanas, mas portuguesas...

Quando o clube de cinema da escola, que adoramos, traz aqui, a esta casa, um realizador português no mínimo interessante, e nos escondemos atrás do nosso preconceito para não nos darmos sequer ao trabalho de vir ver com os próprios olhos, estamos a dar espaço à nossa ignorância. Quando o resultado é Manuel Mozos alterar a programação da sua vida para visitar-nos, e deparar com uma sala mais para o vazio do que para o cheio, fico triste. Não indignado, mas muito triste.

domingo, 6 de dezembro de 2009

O QUE ANDA NO AR

Às vezes, não nos apetece «blogar». É natural: ou andamos com outros interesses, ou há testes que nos ameaçam e para os quais devemos estudar, ou se é pai de uma criança que nos não deixa dormir.
Mas é pena que o afastamento em relação ao blogue se dê, durante um certo período, simultaneamente com todos os seus escritores.

Entrementes, há coisas que convém assinalar.
O clube está empenhado até à ponta dos cabelos nas próximas comemorações dos 30 anos da escola:

1. O livro está em marcha. E, tal como o antecipo, vai ficar bonito, com a colaboração de uma quantidade de gente que, no meio de todos os seus afazeres, não se escusaram a colaborar.

2. Palpita-me que a sessão do dia 16 será memorável. Com um grande filme - para mais, tão típico da época em que a escola nasceu, 1979 -, escolhido e apresentado pela professora Ana Páscoa, essa será também a ocasião ideal para o lançamento do livro. Contamos com a presença de muitos dos mais de 30 colaboradores, o que fará uma sala cheia...

3. O museu do cinema está quase a abrir as portas. Importante será que comecemos a trazer os materiais a expor. Não convém deixar tudo para o último minuto.

E é isto. Entretanto, vamo-nos vendo por aí.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O Blogg está morto???


Pensei muito antes de escrever este post, mas acabei por me decidir a fazê-lo. Quando olho para este blogg, não vejo um blogg, no sentido próprio da palavra. As pessoas aqui não bloggam. Ocasionalmente, uma das três ou quatro pessoas que se interessam pelo clube de cinema, escrevem um post e, com alguma sorte, passado algum tempo, tem um comentário de uma das outras três ou quatro pessoas que se interessam. O que é certo, é que se não fosse eu e o professor José Pacheco, este blogg estaria tão morto como um vampiro transilvano. Ainda no outro dia escrevi quatro ou cinco textos aqui para o blogg, e recebi um comentário! É extremamente desmotivante... Nem tenho a certeza se alguém leu de facto o texto. No entanto, quando eu escrevi o "post infame", numa questão de vinte e quatro horas tinha já vinte e cinco comentários, o que é um recorde fantástico! Dá quase uma média de um comentário por hora. A maior parte das pessoas nem sequer escreveu para o blogg. E depois dizem que eu não respeito o clube de cinema porque faltei a algumas sessões que não me interessavam (ou porque tinha visto o filme há meses, ou porque de facto era muito mau - e temos que notar que, apesar disso, vi filmes como a Odisseia no Espaço 2001, que já tinha visto e não tinha gostado, o Sweeney Todd, que já tinha visto três ou quatro vezes, o Persépolis, que também já tinha visto, e o Estranho Mundo de Jack, que nem comento!!!), quando eu gastei dezenas de horas a escrever posts e a procurar fotos e vídeos na net, só para que, efectivamente, se discuta cinema a sério (já que durante as sessões na escola a conversa recai sistematicamente na escolha do próximo filme, ou em alguma discussão que precise de ser resolvida, não nos deixando tempo para discutir a sétima arte). Que eu me recorde apenas oito pessoas escreveram textos no blogg, e dessas apenas quatro escreveram mais do que dois posts (sendo que um deles apenas escreveu quatro). Tendo em conta que este já é o 79º post (senão me engano) chegamos a algumas conclusões interessantes... Eu sei que escrevi cerca de 20 posts aqui no blogg, e a maior parte tem um tamanho considerável. Falo sobre o cinema em geral, muitas vezes em resposta a outros posts (normalmente do professor José Pacheco, que é o único que escreve também regularmente). Devo confessar que este blogg se revelou uma desilusão mas espero que este post sirva para o melhorar, e que incentive mais pessoas a participar. Como é um post crítico, quase de certeza que vão surgir mais comentários do que é usual. Fico à espera deles.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Post Número 69

Era só para apoiar o guilherme e o sacramento na sua apresentação do Cosmix. Espero que façam uma boa apresentação e que não nos aborreçam de morte. Good Night and Good Luck!

terça-feira, 26 de maio de 2009

ESTAREMOS AINDA?!

O Clube de Cinema, como se lembrava no texto com que inaugurei este blogue, foi uma autêntica aventura que teve início a partir de uma conversa entre duas pessoas, as quais foram, depois, tentar fazer crescer as hostes.

Manteve-se, durante imenso tempo, um «clube dos poetas mortos», muito poucos e clandestinos, ocultos nas catacumbas da escola, unidos pelo Espírito Santo que era a fé e a paixão pelo cinema.
Depois, cresceu. E subitamente, estas relações de um grupo entretanto alargado, tornaram-se tensas e complicadas, num espectáculo, por vezes triste, de intolerância, imaturidade, combates mortais entre diferentes perspectivas, pouca seriedade nos argumentos.

Devo dizer que fico amargurado por verificar a facilidade com que as pessoas, mesmo as pessoas inteligentes e cultas que são os jovens que tenho vindo a descobrir neste clube, preferem o caminho mais fácil: o insulto, a humilhação do outro, o desprezo pelos demais. E, atenção: não estou a denunciar este ou aquele, porque acho que vários elementos têm responsabilidade na degradação do ambiente.
A impulsividade com que se responde a um comentário que não nos agradou, a ligeireza com que se apagam os textos que não nos soaram bem, a dificuldade em se ouvir o outro, a desconfiança e a irritação que se têm generalizado fazem-me às vezes perguntar - devo confessá-lo, por excessivo que isto vos pareça, mas, que é que querem? também tenho as minhas crises de pessimismo... - se não andaremos todos aqui a perder o nosso tempo...

Depois, abrando a minha fúria. Revejo tudo. O que se ganhou ao longo deste tempo. As intervenções construtivas, apaziguadoras, as aproximações, a descoberta de uma cinematografia menos conhecida pelo senso comum, a delirante discussão das ideias! E, sobretudo, a importância que todos e cada um tiveram para tornar o clube naquilo que ele é no seu melhor: O João, o André e o André Jorge como pilares desde o primeiro momento, com a sua sensibilidade apurada, a sua curiosidade e o seu gosto pela conversa inteligente, a Beatriz, a Mónica e a Eliana, com a sua cultura, serenidade e maturidade femininas, às vezes quase maternais no pôr dos pontos nos ii, o Eça com a sua vasta sabedoria cinematográfica, que me despertou para o novo de tanta coisa antiga, o Guilherme com o seu desarmante e divertido prazer por refutar, o Vasco, o Rúben, o Afonso, com a sua cativante vontade de participar, partilhar ideias e aprender, o Márcio, a Madalena e a Marta, no seu empenho intermitente, entre tantas outras tarefas próprias de professores em períodos difíceis, o extraordinário João Camacho, que foi uma revelação, na sua discreta mas sempre pertinente entrega ou, last but not the least, o incansável Francisco, como uma alma que vela, se dedica, se entrega a um trabalho apaixonado em todas as frentes, sem o qual nada seria coisa alguma, foram sendo, afinal, o segredo desta dinâmica.

E dou por mim a pensar que valeu a pena, que continuará a valer se, entretanto, soubermos crescer, se aprendermos a crescer uns com os outros. Não só como cinéfilos, que diabo! Como pessoas!