terça-feira, 14 de dezembro de 2010

12.ª Sessão do CC de 2010/2011

Quarta-feira no Anfiteatro
5 de Janeiro de 2011 às 14h30

Olhem Para Mim
de Agnés Jaoui

apresentado pela Prof.ª Paula Fonseca


Esta sessão foi adiada devido ao facto da visualização da curta-metragem "Psicose"
(realizado no âmbito da disciplina de Área-Projecto
por um grupo de alunos do 12.ºC entre eles os João Sacramento e o André Vieira) ter inevitavelmente proporcionado um debate... ("gostos discutem-se" não é?)
Por consenso decidimos todos transferir esta sessão para o 2.º Período.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

CONCURSO DE IDEIAS: PARA UMA RENOVAÇÃO DO ANFITEATRO DA ESCOLA

Está aberto, a partir do momento de publicação deste post - 23h. 15 min. do dia 2/12/2010 - um Concurso de Ideias destinadas à renovação do Anfiteatro da escola.

Essa será uma forma de o Clube de Cinema deixar uma marca. Mesmo que muitos dos seus membros estejam praticamente de partida e possam não vir a usufruir de todas as mudanças, a verdade é que eles acompanharam a génese do clube; a verdade é que, entre discussões e cansaços, em determinados momentos o clube contou com o seu empenho e o seu bom gosto; apresentaram filmes, fizeram filmes, discutiram filmes. E, verdade seja dita, muitos deles foram exibidos no calor (Verão) ou no frio (Inverno) de um anfiteatro degradado, feio, ruidoso, desconfortável, com demasiada luz e uma porta desengonçada.

Às perguntas : Que podemos mudar - algumas coisas desde já, outras a longo prazo -, com que meios e com que parcerias, segundo que grande e pombalina visão?, esperamos que principiem a responder desde já.

a) O projecto de renovação - proposto individual ou colectivamente - deverá apresentar, na medida do possível, uma indicação de meios e recursos com que poderá contar; contactos a efectuar; parcerias possíveis.

b) Deverá ser entregue, em sobrescrito fechado, de que conste, no exterior, a seguinte inscrição: CONCURSO DE IDEIAS/ RENOVAÇÃO DO ANFITEATRO.

c) A identificação dos proponentes deverá estar anexada à proposta.

d) Qualquer um dos três seguintes postos poderá receber e encaminhar os projectos a concurso:

1. Professor Francisco Morais.

2. Professor José Pacheco.

3. Biblioteca da ESPJAL.

c) O prazo final de entrega é o dia 31 de Janeiro.

A escola merce. O clube merece. Au travail!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Uma experiência nova

O Clube de Cinema saiu da Escola para ver um filme.

Eu sei que já o tínhamos feito na nossa primeira saída em 29 de Abril de 2009 na visita que fizemos ao “Indie Lisboa 09” ver um filme alemão de discutível qualidade (ver post no nosso blogue).



Depois, no mesmo ano, em 21 de Outubro, voltámos ao Cinema S. Jorge no DocLisboa 2009 para ver um conjunto de 3 interessantes documentários com a particularidade especial de o debate ter sido feito em inglês…


Nestas duas primeiras saídas fizemos sempre uma paragem obrigatória na Cinemateca e prometemos a nós próprios que voltaríamos exclusivamente para uma sessão do CC neste agradável espaço (o que não aconteceu ainda…)
Este ano no dia 20 de Outubro fomos novamente ao DocLisboa mas desta vez na Culturgest.



O filme foi polémico e permitiu um debate inédito e inesquecível à porta da instituição por falta de melhor lugar. Nesse dia houve até quem visse alguns pavões junto à Biblioteca das Galveias.



O Clube de Cinema já tinha sido sugerido, em Janeiro, que pudéssemos ir ver o filme (daqueles com estreia recente e num espaço cinematográfico comercial) “Invictus”, de Clint Eastwood, mas tal não se concretizou.
Até que finalmente (em poltronas confortáveis) com o requinte duma sala quase totalmente escurecida e também quase exclusivamente só com a nossa presença pudemos usufruir deste prazer tão cinéfilo e ver o filme "Rede Social" de David Fincher no Cinema Dolce Vita de Miraflores. Só responderam à chamada 9 pessoas - foram notadas as ausências justificadas daqueles que ultimamente reagem mais negativamente ao desconforto do Anfiteatro da nossa escola. Tivemos ainda a boa surpresa da presença do Ricardo do 12º B e da Christine (espero que esteja bem escrito) do 11º ano e que está a estudar este ano na ESPJAL vinda da Dinamarca.

E aconteceu aquilo que eu não suspeitava. Afinal, mesmo com as deficientes condições de projecção de imagem, de som e com o desconforto das cadeiras de madeira, o ambiente que se instala nos anfiteatros onde são visualizadas as nossas sessões do CC torna diferente o debate (troca) de opiniões e cria um clima muito especial naquelas sessões em que a maioria dos presentes decide dar o seu contributo de livre e espontânea vontade.
Como aconteceu, aliás, na penúltima sessão em que convidámos a realizadora Joana Pontes para ver e deabter o documentário "As Horas do Douro".




Isto não significa que eu não tenha gostado da experiência. Foi desta maneira que eu vi a maior parte dos filmes da minha vida. Mas os debates no CC têm outro sabor quando realizados nos Anfiteatro da ESPJAL. O que podemos e devemos é melhorar aquilo que não funciona tão bem. Algo que o Clube pretende dentro em pouco dar o seu contributo.
Sobre o filme “A Rede Social” espero este fim-de-semana poder dar a minha opinião.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

9.ª Sessão do CC de 2010/2011

Quarta-feira no Dolce Vita de Miraflores
10 de Novembro de 2010 às 15h30

Sessão Especial

A Rede Social
de David Fincher

Saída de Linda-a-Velha às 14h30 junto ao portão da escola
ou às 15h15 na entrada do cinema
(Bilhetes a 4 euros)

(o debate realizar-se-á aqui no blogue)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

8.ª Sessão do CC de 2010/2011


"O que é que faz o tempo ao vinho?
O tempo faz ao vinho o que faz às pessoas.
Torna-as mais calmas.
Dá~lhes a paz que ele precisa."

Zézé Nogueira

Quarta-feira no Anfiteatro
03 de Novembro às 14h30

As Horas do Douro
um filme de António Barreto e Joana Pontes


Com a presença da realizadora
Joana Pontes

terça-feira, 26 de outubro de 2010

7.ª Sessão do CC de 2010/2011

Quarta-feira na Sala 44 (Pav.E)
27 de Outubro
às 14h30


Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera
de Kim Ki-Duk

apresentado pela Sara Pestana (9.º A)



Deixo-vos também o texto de apresentação que irá aparecer no folheto da sessão:

"O filme “Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera” mostra algumas das coisas mais importantes da vida. Representa, de uma forma simples, o seu ciclo: o nascimento, o crescimento, o envelhecimento, por fim a morte, e o nascimento de novo…

Durante o filme surgem dúvidas, mas ao mesmo tempo respostas e pensamentos esclarecedores.
Para muitos, o filme pode parecer um pouco parado… mas se repararem, também o ciclo da vida é lento e calmo, e é isso que faz com que seja tão belo. Temos de ser pacientes… para tudo na vida é preciso ser paciente.

A história deste filme dá que pensar: os ensinamentos do velho mestre, as brincadeiras cruéis do jovem monge, o amor, a raiva, o ciúme e no final… a harmonia, a experiência e a luz.

Espero que o filme vos ajude a compreender melhor a vida. E também que gostem dele tanto como eu gostei."

Sara Pestana (9.º A)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

5.ª Sessão do CC de 2010/2011

Quarta-feira no Anfiteatro
13 de Outubro
às 14h00 (*)

O Lado Selvagem
de Sean Penn

apresentado pelo Rodrigo Figueiredo (9.º F)

(*) a sessão começa meia hora mais cedo devido à duração do filme

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

cinquenta e oito coisas que eu gosto no cinema

vi um post semelhante mas apenas com vinte exemplo num blogg sobre cinema na net. emprestando a ideia faço o mesmo aqui, mas sem imagens, ao contrário do original. ficaria mais bonito mas perderia muito tempo e, como bem sabemos, tempo é dinheiro nesta sociedade consumista.

espero que estejam todas.


*sternberg e marlene dietrich

*marlon brando em um eléctrico chamado desejo

*falstaff, de orson welles

*peter lorre em m

*alguns filmes de coppolla

*os guiões de billy wilder

*eles vivem, de john carpenter

*james caan

*o cinema de sam peckinpah

*os irmãos marx

*fantasia

*a banda sonora do aleksandr nevski

*a trilogia social de john ford

*o silêncio, de bergman

* night of the hunter, o único filme charles laughton

*o argumento de inglourious basterds

*equus, sidney lumet

*filmes de zombies de romero

*natural born killers

*os primeiros filmes de paul schrader

*os planos complicadíssimos de godard

*charles bronson

*george c. scott

*the man that would be king, john huston

*freud, the secret passion, john huston

*moby dick, john huston

* rollerball, norman jewison

*os argumentos de mankiewicz

*o homem elefante, de david lynch

*james cagney em white heat, de raoul walsh

*o caçador, michael cimino

*musicais de minelli

*cronenberg

*the long goodbye, de robert altman

*o laço branco, de michael haneke

*morte em veneza , de visconti

*jerry lewis

*ghosts of mars

*spike lee

*sascha baron cohen

*marte ataca!, tim burton

*os primeiros filmes de michael mann

*franklin j. schaffner

*elia kazan

*cleópatra, de de mille

*música do bernstein para o west side story

*peter bogdanovich

*os melhores anos das nossas vidas, william wyler

*griffith

*planet terror, robert rodriguez

*filmes de samurais de kurosawa

*trilogia de apu, de satyajit ray

*orfeu negro, de marcel camus

*o terceiro homem, de carol reed

*frankenstein junior

*alguns filmes de sydney pollack

*alguns filmes de roman polanski

*jean cocteau

*pasolini

*the exorcist

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Palavras para quê?

4ª Sessão do CC de 2010/2011

Quarta-feira no Anfiteatro
06 de Outubro às 14h30


O Sítio das Coisas Selvagens
de Spike Jonze


apresentado pelo João Leão (9.º D)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

3ª Sessão do CC de 2010/2011

Quarta-feira no Anfiteatro
29 de Setembro às 14h30

Cross of Iron

(A Grande Batalha)
de Sam Peckinpah


apresentado pelo João d'Eça (12ºF)


terça-feira, 21 de setembro de 2010

2ª Sessão do CC de 2010/2011

Quarta-feira no Anfiteatro
22 de Setembro às 14h30


Capitalismo: Uma História de Amor
de Michael Moore
apresentado pelo André Jorge (12º E)

CONCURSO DE IDEIAS: PARA UMA RENOVAÇ~

O Projecto Gostos Discutem-se, que tem crescido, se diversificou e consolidou ao longo destes últimos anos, constitui uma oportunidade única para a reconversão do anfiteatro.

Essa reconversão, aliás, é uma ideia antiga: o saudoso Professor José Augusto Lucas falava, frequentemente, da tristeza que lhe provocava o estado dessa sala, abafada, desconfortável, degradada; dizia que, quando houvesse dinheiro, teria de se começar a pensar em obras.


Pois bem: este é o momento certo. Com imaginação, há várias renovações possíveis. Pequenas e quase imediatas renovações que venham, aos poucos, a mobilizar e a desenhar um projecto mais vasto e ambicioso. Há parcerias concebíveis (com a Câmara? empresas? a própria Cinemateca...?); há, entre os professores ou os encarregados de educação, arquitectos e desenhadores; há, na comunidade escolar, pessoas de bom gosto. É disto que precisamos para o primeiro passo. Congregação de vontades, ideias, sugestões. É, pois, e com o aval, o apoio e o interesse da Direcção da Escola, este movimento o que o Clube de Cinema quer fazer nascer.

Somos, para além do mais, os primeiros interessados e beneficiários: nós que, no clube, ligados pela cinefilia, nos reunimos todas as quartas-feiras em péssimas condições, temos essa razão acrescida, egoísta até, se outras não houvesse, para começar a pensar a renovação do anfiteatro: discutir o que se poderá fazer, e como.

Eis o que propomos aos membros do Gostos Discutem-se. Acreditamos que vai ser possível e acreditamos, sobretudo, que vai valer a pena.

O professor Francisco puxa-me pela manga. Gosta deste «post», mas receia que uma colecção de boas ideias não passe de uma colecção de ideias vagas. Pede-me que seja mais preciso. Como canalizar as ideias? Quais as vias, quais os prazos?

É por isso que transformamos este vago apelo em algo mais definido. Amigos, está aberto um concurso de ideias. Um concurso de projectos. Para, repito, renovação do Anfiteatro da escola.

a) Estas deverão ser entregues, individual ou colectivamente, até dia 31 de Janeiro.

b) O sobrescrito fechado deverá ter a seguinte indicação no exterior: Concurso de Ideias/Projectos: Renovação do Anfiteatro.

c) No interior deverá constar a identificação dos concorrentes.

d) Será entregue num destes três postos:

1. Professor Francisco.

2. Professor José (isto é: eu próprio).

3. Biblioteca da Espjal.

Iniciem a discussão. Visualizem, concebam, desenhem, proponham meias e vias. Au travail!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

1ª Sessão do CC de 2010/2011

Quarta-feira no Anfiteatro
15 de Setembro às 14h30


Eles Vivem
de John Carpenter

apresentado pelo Prof. Francisco Morais

(tráz outro amigo e, de preferência, arranja uns óculos escuros para o debate)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Cinema No Verão

Com pouco tempo para escrever, mas sem querer negligenciar este blogg (que, de resto, já o foi por quase todos os seus membros), queria apenas deixar uns pequenos conselhos cinéfilos aos meus excelsos camaradas e amigos do clube de cinema, para quem os achar de qualquer interesse.
Sobre as estreias de verão, queria dizer o seguinte:

O ESCRITOR FANTASMA - a não perder. como eu já tinha mais ou menos profetizado, polanski acabou por fazer um grande filme, depois de tretas como o pianista e o oliver twist. O filme é um thriller político com alguma ambiência e com muitas reminiscências de filmes anteriores de polanski. Tomem atenção às duas cenas finais, que só por si fazem o filme. ****½

INCEPTION - uma grande desilusão de filme. Anunciado como uma obra-prima contemporânea, descobri um filme que não inventou nada, que se resume a um enredo confuso e desinteressante que demorou uma década a ser escrito, e a uma sucessão de sonhos "visualmente enfadonhos" (como diz Luís Miguel Oliveira, do público). Um blockbuster com efeitos especiais fantásticos, é verdade, mas que fica muito aquém das expectativas. Qualquer outro filme de christopher nolan é superior a inception, um cineasta inglês até bastante interessante mas que se deixou seduzir pelos estúdios americanos. **½

THE A-TEAM - outro blockbuster de Joe Carnahan (um dos mais tresloucados realizadores de sempre) que nos traz aqui uma adaptação da série televisiva dos anos oitenta. Engraçado e muito chanfrado. **

THE MAIDEN HEIST - um filme heist sem imaginação e sem ritmo. *

Infelizmente, ainda só tive tempo para ver estes filmes. No entanto, SHIRIN (Abbas Kiarostami); MEU FILHO, OLHA O QUE FIZESTE (Werner Herzog); CANINO; VÃO-ME BUSCAR ALECRIM; A TETA ASSUSTADA; TOY STORY 3; e o CASO FAREWELL, integram a minha lista A VER.
Esta quinta-feira, estreará THE EXPENDABELS, que, ou assim parece, vai ter um Stallone (actor/realizador) na sua melhor forma.
Deixo também a nota de que ontem faleceu a grande actriz norte-americana Patricia Neal, que esteve casada trinta anos com o escritor Roald Dahl.
Cumprimentos, Camaradas.
Eça

segunda-feira, 7 de junho de 2010

"A Última Sessão" (deste ano lectivo...)

Para complementar o anterior post do José aqui vai o vídeo com apenas alguns apontamentos.



Esta sessão foi um dos momentos mais emocionantes que ultimamente o Clube de Cinema me tem oferecido.
As gravações reflectem bem o que disse: alguma tremideira, falta de imagens significativas (as que anunciam o Melhor Filme do Secundário), sempre a mesma posição da câmara, o cartão da máquina a ficar cheio e muito mais que os mais cinéfilos detectarão facilmente. As minhas desculpas se falhou algo mais importante...

Espero que o filme, apesar destes problemas, nos dê um "retrato" mais ou menos fiel desta memorável sessão e que nos possa fazer recordar esta excelente maneira de encerrar, este ano lectivo, o projecto do Clube de Cinema "Gostos Discutem-se".

Só mais uma coisa: esta imagem estática do filme do You Tube em que aparece o João Sacramento ocorreu por uma casualidade. Coincidiu com a metade do filme. Nada de preferências do realizador...
Eu continuo a afirmar: GOSTEI DE TODOS os filmes premiados.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

E, OBVIAMENTE, À MINHA MÃE, QUE SEMPRE ME ACOMPANHOU E SEM A QUAL...

Não têm estado, de facto, muitas pessoas nas últimas sessões do clube.
Mas antes que me acusem de pessimismo, deixem-me acrescentar o que tinha em mente quando comecei a escrever este texto: os alunos que "fazem" o clube são um caso sério. Um caso sério de qualidade.
Não me surpreende, mas entusiasma-me confirmá-lo a cada momento:
Aqueles que vieram escolhendo e apresentando os filmes que vimos; os que foram agora, por sua vez, realizadores ou assistentes técnicos de curtas-metragens tão promissoras e tão elogiadas; ou aquela menina, em particular, que integrou o júri; ou o grupo do 8º ano que tem vindo cheirar, descobrir, intervir, e constitui a massa de que se fará o futuro do clube.

Faltaram os agradecimentos de cada um dos premiados à família. Mas eu tenho de agradecer: aos directores e actores dos filmes, o empenho, a colaboração, o gosto, o talento posto ao serviço do clube; tenho de agradecer às pessoas que constituíram o júri - a Carolina, a Elisa, a João e a Beatriz - o haverem aceite o convite, o terem-me proporcionado uma tarde magnífica de inteligência e discussão, o terem escolhido justa e sensatamente numa situação de escolha impossível; tenho de agradecer à Direcção da escola a generosidade, o reconhecimento, a presença, a participação.

E ao Francisco, companheiro desta aventura, precisamente esta aventura: um projecto a crescer e a voar, em que ele e eu ora somos semelhantes, ora completamente diferentes, mas nunca em choque nem em competição: sempre complementares.

Até para o ano!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

30ª Sessão (e última) no CC em 2010

FESTIVAL DE CURTAS-METRAGENS
Quarta-feira, 02 de Junho
no Anfiteatro às 14h30

ENTREGA DOS PRÉMIOS
e apresentação dos filmes
seguida de debate

Crespuscal’s
de
Guilherme Tavares,
Natasha Lima,
Rodrigo Teixeira e
Victória Freitas - 7.º B

A Tasca da Lena
de
Matilde
Coelho da Silva - 9.º C

Um Vírus Invulgar
de
Miguel Machado - 9.º C

Espera
de
João Sacramento - 11.º C

O Anti-Herói
de
André Jorge - 11.º E
e João d’Eça - 11.º F

segunda-feira, 24 de maio de 2010

29ª Sessão no CC em 2010

Quarta-feira, 26 de Maio
no anfiteatro às 14h30


ANDRÉ VIEIRA
(11.º C)
apresenta
Amadeus
de
Milos Forman



segunda-feira, 17 de maio de 2010

28ª Sessão no CC em 2010

Quarta-feira,
19 de Maio

na SALA 44
(Pavilhão E)

às 14h30

FESTIVAL DE
CURTAS-METRAGENS
com a presença da ex-aluna Carolina Rocha que apresenta a sua curta-metragem
"Onde Estão as Mãos de Eduardo"
em exibição extra-festival.


A Concurso vão ser apresentadas as seguintes curtas-metragens:
Escalão — 3.º Ciclo do Ensino Básico
Crepuscal’s
de Guilherme Tavares,Natasha Lima, Rodrigo Teixeira e Victória Teixeira do 7.ºB
A Tasca da Lena
de Matilde Coelho da Silva, Sara Carrilho, Rodolfo Esteves e Tiago Fernandes do 9.ºC
Um Vírus Invulgar
de Miguel Machado, Pedro Luís, Tomás Dias e Vítor Cabral do 9.ºC

Escalão — Ensino Secundário
Espera
de João Sacramento
do 11.ºC
O Anti-Herói
de André Jorge (11.ºE)
e João d’Eça (11.ºF)

deixo-vos com o trailer do filme da Carolina Rocha


domingo, 16 de maio de 2010

HUMPDAY

Hoje, ou melhor ontem, sábado, que já passa da medianoche, fui ao cinema. Ver o quê? Entre um pretensioso Robin Hood que pretende desmistificar o herói e substituir o fantástico Errol Flynn pelo mentecapto do Russel Crowe, transformando um filme de aventuras filmado em esplendoroso technicolor, numa mistela cinzenta e deprimente de sangue, porrada e efeitos slow motion; um Iron Man 2 que nos desilude por investir onde o primeiro mal tocara: cenas intermináveis de acção e mais acção e... (adivinhem!) ainda mais acção; uma versão travesti do retrato de Dorian Gray; uma Religiosa Portuguesa desancada pelos críticos; o lamechas e piroso The Blind Side; a comédia para atrasados mentais Date Night; e muitos outros filmes que estrearam nas nossas salas de cinema, decidi ir ver HUMPDAY.










HUMPDAY passou por muitos festivais internacionais, foi bem-recebido em todo o mundo e, sendo um filme independente e tratando um tema delicado, despertou a minha curiosidade. A história é simples: dois melhores amigos, um aventureiro semi-nómada que não acabou o curso e que leva uma vida libertina pelo mundo fora e um outro casado, sedentário e que pensa já em ter filhos, decidem fazer um filme pornográfico. A originalidade e o arrojo da coisa: serem dois heterossexuais a praticarem sexo homossexual. O filme deveria depois estrear num festival amador de pornografia... Não contarei o final do filme, pois isso estragará o seu interesse. No entanto, não posso deixar de mencionar o filme de Paul Mazursky: Bob and Carol and Ted and Alice (1969 - ou seja, feito há quarenta anos atrás), do qual HUMPDAY bebe muito.












Li a crítica publicada no Público de Vasco Câmara no qual ele compara o filme às obras de Rohmer e de Cassavetes, mas achei curioso que não nunca se mencionasse Mazursky. Para quem conhece o fantástico e arrojado Bob and..., só posso dizer que HUMPDAY é quase que uma nova adaptação, apesar de "menos corajosa" (também a verdade é que já passaram quarenta anos desde o filme de Mazursky, e a importância social de um filme destes hoje em dia é quase nula, ao contrário do que FOI nos anos 60). HUMPDAY é um filme muito bonito, e não me refiro ao facto de apesar do orçamento baixo (se é que havia orçamento!) conseguir uma fotografia esplendorosa em certos momentos, mas sim à forma como penetra na intimidade sentimental das personagens, com grandes close-ups e muitos zooms e movimentos de câmara que seguem os diálogos com grande intensidade. O argumento é de qualidade, os actores suficientemente convincentes. Vasco Câmara diz que logo no início do filme se percebe que não é mais uma "comédia javarda". Claro que não. Mas também não é um Bob and... É algo que fica no meio, mas que vale a pena ver, nem que seja pela simples celebração do que se consegue fazer com pouco dinheiro e muita imaginação (não, não precisamos de tubarões de borracha nem de dinossauros feito a computador para termos cinema...). O título em português do filme é HUMPDAY - Deu para o torto. Deu para o torto? Por outro lado: deu até muito bem...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Emir Kusturica & No Smoking Orchestra


Depois de ler o post anterior do José resta-me também acrescentar o meu contentamento em constatar a excelente presença das 23 pessoas que estavam no início. Saíram algumas durante o filme mas voltaram outras para a discussão. Ainda não chegámos ao meu sonho (utópico?) de assistir a uma sessão do CC em que haja a necessidade de utilizar também os assentos da escadaria do anfiteatro mas para lá caminhamos...

Quanto ao filme, Gato Preto Gato Branco, aquela música não me sai da cabeça. E decidi "googlar" Emir Kusturica & No Smoking Orchestra. Sabem o que encontrei? Isto:

"Emir Kusturica & No Smoking Orchestra + Melech Mechaya"
Se os palcos portugueses atribuíssem um prémio de assiduidade, Emir Kusturica seria um sério candidato ao troféu. Está de volta, sempre com a sua No Smoking Band, para um concerto no no Coliseu de Lisboa, dia 9 de Junho de 2010.

Se alguém ainda não sabe a festa que é uma actuação de Kusturica, pode começar por ver um filme do músico/realizador e deixar-se levar pela sua irresistível concentração de folk-punk em trajes ciganos, que suga sons das mais diversas culturas europeias. A mente aberta é condição essencial para absorver esse incatalogável caldo musical. Outra é o corpo solto, sem ilusões de resistência ao ritmo frenético, à simpatia e ao bom humor da banda. A imaginação também é obrigatória.
Podíamos estar num casamento de loucos, no meio da mais fatal das guerras ou até num funeral, mas a vida é um milagre e é preciso celebrá-la com total euforia. É esta a lição do realismo mágico dos seus filmes, da sua música e dos seus concertos. Há sempre por onde rir da situação, nem que seja com um sorriso irónico, a pedir revolução. Se os deuses estão loucos e os demónios andam à solta, uma festa destas é um antídoto mais-que-perfeito."


Guia do Lazer do Jornal Público

Depois descobri este endereço desta banda no myspace que vos convido a visitar:
http://www.myspace.com/emirkusturicathenosmokingorchestra

Depois decidi ir ao site do Coliseu dos Recreios e obtive esta informação:


"The No Smoking Orchestra (Zabranieno Pusenje) foi fundada em Sarajevo em 1980 e rapidamente se tornou a banda mais influente da chamada corrente do “New Primitivism”, um movimento cultural de oposição que se difundiu após a morte de Tito (antigo líder na ex-Jugoslávia).

Após vários sucessos nacionais e de perseguições Governamentais durante a década de 90, com o inicio da Guerra dos Balcãs Nelle Karajlic deixou Belgrado. Em 1994 ele reformou o grupo com músicos mais novos, incluíndo um novo baterista chamado Stribor Kusturica, irmão de EMIR KUSTURICA.
Em 1998, The No Smoking Orchestra compôs a música para a BSO do filme Gato Preto, Gato Branco de EMIR KUSTURICA, filme este que foi galardoado com o Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza."

E por fim fui ao You Tube e obtive o vídeo desta extraordinária actuação:




Depois disto tudo decidi ir amanhã às bilheteiras do Coliseu na esperança de que não esteja já a lotação esgotada. Além disso dia 10 de Junho é feriado...

GATO PRETO, GATO BRANCO, NUM TEXTO EM QUE QUASE NÃO FALO SOBRE O FILME

No clube de cinema, gostamos (gosta-se, gosto eu, pelo menos) mais de algumas sessões. Podem ser muitas as razões pelas quais há uma ou outra tarde que nos atingem (me atingem) especialmente; e, sobretudo, perdoem-me a heresia, somos sensíveis (eu sou), por vezes, a motivos que ultrapassam a qualidade do filme em si mesmo.

Por exemplo, quando um convidado nos vem visitar; ou quando o debate é animado; ou se disseram coisas interessantes, ou engraçadas, em que ficámos a remoer...

Esta sessão, apesar de, estranhamente, não ter sido das melhores do ponto de vista da conversa que se seguiu (um pouco como se as pessoas estivessem intimidadas ou fechadas sobre si), foi certamente das mais fortes ou, pelo menos, das que mais me tocaram, por dezenas de outras razões. Dezenas, mas fiquemo-nos por uma dezena.

1. Porque, neste caso, o próprio filme era excelente. E eu que temia algo demasiado intelectual, incompreensível, mas dei comigo completamente agarrado, rindo muito, tentando seguir o novelo caótico, contudo irresistível, ou aquele humor em que até os maus têm algum elemento que os salva...

2. Por ter sido uma escolha do Sacramento, que, oscilando entre a timidez e a saudável irreverência, se tem mostrado um cinéfilo cheio de recursos e ideias, desde a primeira hora, e que me apresentou já (e emprestou) algumas obras que só ganhei em descobrir...

3. Por ter inaugurado o regresso do impagável Guilherme - caramba, há quanto tempo! -, da certeira Liliana, do imprevisível Vasco e da atarefada (mas impressionante) Beatriz...

4. Por contar com a presença de Paula Fonseca, a dinâmica amiga cuja intervenção é sempre - como agora se diz - uma mais-valia...

5. Por presenças novas, ainda que breves, e ainda que se não saiba, neste momento, se tornarão.

6. Por ter tido o prazer de olhar cá debaixo e deparar com uma sala bem preenchida - teriam sido quinze, vinte cinéfilos, pelo menos ao princípio?

7. Por saber que, mesmo os que chegaram mais tarde mas fizeram questão de não deixar de marcar presença - Eça, André Jorge -, se demoraram a fazer algo que também tem que ver com o clube de cinema: a curta-metragem, que aguardo ansiosamente.

8. Por ter visto o André Vieira, sentado mesmo à minha frente, a rir, em face do filme, com um certo jeito surpreendido, sacudindo a cabeça e abrindo os braços, como quem diz: «Oh, raios, mas que é isto? Que mais irá acontecer!?»

9. Pela dedicação com que o Sacramento e o Vieira se apresentaram, um de negro, outro de branco, numa alusão ao Gato Preto, Gato Branco.

10. Pelos magníficos risos da rapaziada do 8º ano, que persistem no clube, cheios de vontade e vitalidade, como promessa já segura.

Garanto-vos que tudo isto me foi passando pela cabeça ao longo da sessão. Isto e diversas outras coisas, mas não vale a pena acrescentar seja o que for: tinha jurado a mim próprio que ia referir unicamente dez razões. E ei-las.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Confronto de titãs


Saudações cinéfilas a todos os bloggistas. O titulo de abertura, um tanto ou quanto belicista, reverte por um lado para o filme homónimo que circula por Portugal à já quatro semanas, e por outro lado para o conflito que surge pela inevitável comparação com o filme original de 1981. Só ai devia pecar por falta de originalidade, mas o meu comentário incide mais na comparação entre os dois pelos meios visuais empregues. Nesse ponto a discussão entra noutro plano, concretamente a influência dos efeitos visuais num filme, bem como a sua resistência ao passar do tempo. Sem duvida alguma um confronto de titãs, por comparação; os efeitos actuais gerados graficamente por computador (vulgarmente chamados CGI) e a técnica já muito velhinha chamada Stop motion, usada por indivíduos como Willis O´Brien ou Ray Harryhausen.

Sobre a sua natureza ou como eram produzidos… bem, já viram o filme King Kong de 1933? É desse tipo de efeitos especiais que estou a falar! Uma técnica que já está sem duvida ultrapassada e é pouco ou nada usada hoje em dia. No entanto, alguns dos autores deste tipo de filme trabalhavam sobre uma premissa que me parece ainda bastante actual: os efeitos em si, não fazem o filme. Ou dito de outra forma, é preciso ter uma história apelativa, que proporcione interesse, para não falar numa cinematografia e montagem inteligentes (entre outras coisas) que desvie a atenção do espectador das limitações destas técnicas. Só assim se explica como alguns desses títulos de outrora conseguem ainda manter colados ao ecrã aqueles que cresceram a vê-los mesmo depois de tantos anos. Para mim pessoalmente, a jóia mais cintilante do género é Clash of the titans, de 1981.

Por isso era inevitável uma visita a qualquer sala de cinema onde o seu recente remake (com o titulo português Confronto de titãs) estivesse em exibição. Isto apesar de todas as criticas negativas que tem recebido ou dos meus receios relativamente ao uso de efeitos digitais para refazer um filme que foi um marco da animação stop motion. Porque hoje, tanto como há 40 anos atrás, a dependência total de efeitos visuais tem as mesmas consequências negativas, embora por outras razões. A tendência dos realizadores de hoje é transformarem filmes em autênticos videojogos. Sem conotação negativa associada, mas a verdade é que isto é uma clara alienação do espectador que provavelmente prefere jogar em casa a gastar mais 5 euros e setenta cêntimos. Não foi o caso _ ou talvez, para ser honesto, não foi exclusivamente o caso! Felizmente há mais qualquer coisita neste filme _ Confronto de titãs de 2010 _ que imagens geradas digitalmente para entreter o espectador. Aquele ambiente de fantasia e sobretudo o apelativo de toda a mitologia grega e os seus intervenientes continuam neste remake _ apesar das incongruências em relação ao mithos grego, mas esse também é um defeito presente no filme original! A minha intenção era entrar na sala de cinema e “desligar-me” totalmente do resto do mundo durante aquelas duas horas. Objectivo atingido. Não me interpretem mal, este filme não é uma obra de arte! O ritmo é bastante rápido, talvez demasiado, com as cenas de acção a sucederem-se umas atrás das outras, o que embora nos prenda inevitavelmente também encurta o tempo necessário para o desenvolvimento e caracterização das personagens, revertendo um pouco para a tal comparação com um videojogo que eu referi mais atrás.
Mas talvez um dos aspectos mais negativos é a obsessão por parte dos produtores e meios de distribuição em proporcionar um espectáculo do estilo parque de atracções, que muitas vezes peca por excesso. Felizmente não vi a versão em 3D, mas sujeitei-me a uma exibição em que o som estava desproporcionalmente alto, chegando mesmo a incomodar.
Posto isto surpreende-me (ou talvez não) o incrível número de criticas negativas que leio sobre o filme. Porque a escassez de originalidade leva os estúdios a pegar em sucessos antigos e refazê-los sob fórmulas industriais de sucesso actuais? Porque é um insulto tentar refazer obras de arte sob a falsa noção que existe um “guia de receitas” para o sucesso?

Todos estes argumentos merecem atenção pois nem eu próprio consigo descartá-los à primeira. E devo admitir que não sou imparcial a comentar uma história (a de 1981) com a qual tenho uma ligação forte num misto de apreciação sóbria e nostalgia infantil.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

27ª Sessão no CC em 2010


Quarta-feira no Anfiteatro
12 de Maio de 2010 às 14h30

JOÃO SACRAMENTO (11ºC)
apresenta


"Gato Preto Gato Branco"
de
Emir Kusturica



quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Vida Faz-se Bela

A propósito da sessão de ontem do filme "A Vida é Bela" proposto pela Catarina Pereira, não resisto a mostrar um vídeo que encontrei no you tube (por ali encontra-se quase tudo) que me foi sugerido pela crítica do Jorge Leitão Ramos que coloquei no folheto e que passo a transcrever:

"Começou em Cannes, com aquele prémio que Benigni recebeu ajoelhando-se aos pés do presidente do júri, Martin Scorsese - criando o "gag" e o acontecimento da noite. A sério, a sério, a coisa não era para menos: o "clown" via o seu mais recente filme reconhecido por um areópago que não costuma laurear divertimentos ocos."



"Depois, a avalanche continuou, quer em prémios vários em diversíssimos festivais, quer num sucesso de bilheteira que extravasou a Itália e se estendeu a vários países, incluindo os Estados Unidos.
A Vida É Bela chega esta semana a Portugal - e, sustente-se já, seria lamentável que o público não acorresse a vê-lo.
Não sou entusiasta nem do actor nem do realizador Roberto Benigni. Até agora, salvo em momentos esparsos, a sua comicidade sempre me pareceu sustentada em mecanismos de facilidade, dos quais o histrionismo desmesurado do actor, a sua electrizante energia física, surgiam sem controlo, como se tivessem um valor em si.
Que tinham realmente valor - de mercado - prova-o o estrondoso êxito dessas fitas, principalmente em Itália, onde ele é um incontestado campeão de bilheteira, os seus trabalhos sendo dos muitíssimo raros que, se batem de igual para igual com as locomotivas americanas. Só que a capacidade de entreter o povo nunca foi critério de avaliação crítica.
Todavia, em A Vida É Bela, Benigni evolui apreciavelmente. Sem perder as suas características populares, mantendo-se criatura articulada, «boneco» desenfreado, Benigni envolve-se num manto de poesia. Guido, assim se chama o personagem da fita, não é um pateta desastrado e sempre-em-pé. É um personagem que começa com a aparência e a substância do eterno «boneco» de Benigni, depois vai ganhando espessura, sentimentos fortes, uma inteligência que sobreleva a esperteza infantil, uma capacidade de combate que não é simples teimosia. E, depois, o «clown» não faz rir apenas porque se despenha ao comprido na rua, porque leva pontapés ou porque sustenta um fluxo verbal insensato em situações de apuro.


O «clown» é um mágico. É alguém que conquista a mulher amada chamando-lhe «princesa» e fazendo-a sentir-se como tal. Ele move as estrelas se preciso for para que o seu amor seja feliz. Ele introduz na rudeza do quotidiano o imponderável, polvilha a vida com o doce prazer do ilusionista que é capaz de criar o inesperado e sempre inventar gentilezas - mesmo se o tempo de domínio fascista na Itália não é o mais acolhedor dos ambientes.
Quando A Vida É Bela entra naquele que para toda a gente é o lugar central do filme (um campo de extermínio nazi), que o protagonista, para proteger o filho, tente prolongar a magia, na mais impensável das situações, faz com que a respiração do filme sofra um forte abanão.
O que até aí era pura fantasia romântica povoa-se de uma carga de patético, cada vez menos ridente, cada vez mais intolerável. O humor entra em processo de ocaso e avulta a força dos sentimentos, de maneira que a comédia se transmuta em melodrama, num crescendo que emudece o riso e floresce em lágrimas e alegria no final. O mais notável do filme é isso, é a capacidade de ir mudando de registo, mantendo uma coerência de fábula e, sobretudo, uma moral vincada desde a abertura: que a vida é bela se a povoarmos de fantasia, que a vida permanece e floresce mesmo para lá do horror e da morte.
Um pouco por toda a parte, entre os muitíssimos aplausos, ouviram-se vozes fortes, dissonantes, escandalizadas com a mistura de riso e Holocausto. Na «Time», Richard Schickel chamou mesmo ao filme «uma fábula fascista», porque trivializaria o horror. É de esperar que quem olhe para A Vida É Bela de um ponto de vista secamente histórico possa partilhar tais opiniões.
Estará, todavia, quanto a mim, a passar ao lado do que é essencial na fita: a afirmação da superioridade da resistência da vida mesmo perante os fornos crematórios. É por isso que este filme é tão comovente como ver uma ervinha a ganhar corpo nas encostas das estéreis cinzas de um vulcão.

Jorge Leitão Ramos
Jornal Expresso, 23 Janeiro de 1999

quarta-feira, 28 de abril de 2010

SIMÃO BOTELHO COMO SE FOSSE UM PUTO DAQUI




Têm vindo visitar-nos. Pessoas talentosas, inteligentes, que amam o cinema e nos têm ensinado a vê-lo. Só este ano, o irrequieto Carlos Vaz Marques, provocador ousado, Pedro Mexia, que toca diversos instrumentos e todos liga numa música irresistível, ou - hoje - Jorge Leitão Ramos, o crítico que descobre o que não tínhamos visto, sugere a hipótese em que é interessante pensar, argumenta e faz luz.

Vamos coleccionando preferências, ideias, convicções: para Mexia, o filme dos filmes é Paris, Texas, para Leitão Ramos, o actor dos actores é Marlon Brando. No que haja de pessoal e discutível nestes gostos, percebemos maneiras de ser, de ver, de interpretar.

Jorge Leitão Ramos, com a sua simpatia - a que o Rodrigo se refere num comentário -, o seu sentido de humor contagiante e o seu gosto pela comunicação, obrigou-nos a colmatar uma falha do clube: nunca tínhamos passado um filme português. Ora, em tempo de ligações - atentem em que a biblioteca tem feito, deste período, um tempo sobre "ligações" diversas -, a sessão de hoje foi o cruzamento entre o a literatura e o cinema.



O desafio era: será possível vermos Camilo com os olhos de hoje? Um Simão Botelho e uma Teresa e uma Mariana como jovens do século XXI, com que nos cruzamos todos os dias, em casa, no centro comercial, na escola?
Não sei, não sei, não sei.
Mas não importa, não importa, não importa. O filme puxa por nós. A sessão foi magnífica. A discussão valeu a pena.