domingo, 18 de outubro de 2009

AMERICANOS NA EUROPA, EUROPEUS NA AMÉRICA

Na sequência do norte-americaníssimo filme de Michael Moore, gostaria de partilhar convosco uma conversa interessante que tive com o meu «primo da América».

Segundo esse primo - que está sempre de passagem e, portanto, nunca poderia visitar-nos ao clube de cinema, embora gostasse muito -, há dois filmes que insiste em rever e que, devido à sua qualidade de homem educado numa dupla realidade cultural, o comovem sempre: entende-os como filmes que representam, um deles, a visão de um americano sobre a Europa e sobre os europeus; O outro, a visão que, da América e dos americanos, tem um europeu.


O primeiro, é Barry Lindon, de Stanley Kubrick: e, porventura, nessa história sobre um aventureiro irlandês, em que são importantes as peripécias, os sentimentos e as relações mas também os pormenores geográficos, os magníficos verdes e castanhos da paisagem céltica, autêntica pintura, acabamos percebendo mais sobre os próprios americanos do que sobre os europeus, isto é, aprendemos mais, neste caso, sobre quem olha (o que interessa a esse olhar, o que o sensibilizou), do que sobre o objecto olhado.



O segundo é Paris,Texas, de Wim Wenders: e contudo, não só a nível da psicologia, mas da grandeza física que tudo envolve, as estradas longas, como se não tivessem fim, os comboios compridíssimos, que nunca cessam de passar, a extensão a perder de vista dos desertos -, acerca da América do Norte, talvez também aqui aprendamos mais sobre o modo como ela toca e afecta um europeu, do que sobre o que ela realmente é.





Fiquei curioso de tornar a ver estes filmes - que nunca amei especialmente - sob esta perspectiva que nunca me ocorrera. Por outro lado, aqui está mais um exemplo daquilo para que um ciclo pode servir: cruzar diferentes olhares, fazer interagir diversas perspectivas que, fora dessa junção, seriam sempre vistas separada e isoladamente...

2 comentários:

  1. não conheço a obra de wim wenders pelo que agradecia que me emprestassem filmes dele, se tiverem! danke

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  2. Gosto bastante do Barry Lyndon (como todos os filmes do Kubrick alias). Este em particular chama-me a atenção pelo facto de a ideia original ter sido adaptar outra novela do william Thackerry bem mais conhecida, a vanity fair, pelo que costumo exercer a minha imaginação e visualizar os mesmos temas e registo de documentario dramatico adapatado e essa novela bem mais conhecida.
    Já o Wim Wenders suscitou a minha curiosidade de saber "por onde anda" aquele que outrora e por momentos muito fugases foi o menino bonito do cinema Europeu. Procurei na IMDB e reparei que ele até se tem mantido no activo com muitos filmes realizados nos ultimos dez anoz. Longe vão os tempos do Paris, Texas ou da Lisbon story...

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